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Das 9.038 inscrições computadas neste 34º Congresso Brasileiro Quarto de Milha, no Recinto de Exposições Clíbas de Almeida Prado, em Araçatuba (SP), que teve seu início no dia 16 e se encerrou no domingo, 27 de abril, tiveram a participação de 1.552 associados que competiram em 2.909 animais. E estes expressivos números foram representados por competidores de 20 estados da união: AC, AL, AM, BA, DF, ES, GO, MA, MG, MS, MT, PA, PE, PR, RJ, RR, SC, SE, SP E TO. Já em relação aos cavalos, as acirradas disputas das 18 modalidades foram representadas por plantéis dos seguintes estados: São Paulo, com 2.164 exemplares; Paraná, 275; Minas Gerais, 169; Mato Grosso do Sul, 136; Goiás, 86; Rio de Janeiro, 46; Pará, 17; Distrito Federal, 6; Mato Grosso, 4; Rio Grande do Sul, 4; e Espírito Santo, 2.
E entre os momentos marcantes deste evento, ilustraremos o que representa esta paixão pela raça através de duas entrevistas com competidores vindos de cidades bem distantes do evento.
Procedentes de Imperatriz, no Maranhão, o evento recebeu a família Oliveira, formada pelo casal Gunter Igor e Tássia Mara e as filhas, Stella de 8 anos e a Bárbara com apenas 4 aninhos.
Gunter iniciou dizendo sobre o tempo gasto entre voos e automóvel até chegarem em Araçatuba: “Praticamente foram 14 horas de viagem, com escalas de voos e um trecho de carro. Com certeza só mesmo a paixão pelo cavalo faz a gente agir assim”. Ele disse que não mexe com cavalo e nem gado: “Sou oftalmologista, mas o envolvimento da família é tão grande com cavalos que começa pelas meninas. Elas possuem a maioria dos brinquedos relacionados com eles, inclusive as bonecas da Barbie têm que ter algum cavalo; as séries de televisão também”.
Como tudo começou
Gunter contou que a vontade de se envolver com equinos foi inesperada e isso ocorreu em setembro 2021, quando a Stellinha fez a primeira aula de equitação subindo num cavalo. “Ela montou num ‘pangarezinho’, muito manso, que foi apelidado por ela de ‘amarelinho’, com uns 30 anos de idade e que pertencia ao meu pai. Depois disso, adquirimos alguns animais Quarto de Milha e comecei a ficar mais animado vendo a Tassia e a Stellinha treinarem Três Tambores e com três meses de treinamento participaram em duas provas regionais, uma no Pará e a outra no Tocantins”, pontuou ele.
Como é especialista em cirurgia a laser, Gunter escolheu o nome de sua clínica e do haras com referência ao segmento: “Como acho que o nome me trouxe sorte profissionalmente, e mesmo não tendo nenhuma ligação com cavalos, quis também colocar o nome da propriedade como Haras Loft. E para fazer jus a ele, o primeiro potro que nasceu registrei como Laser Loft”.
A partir disso, a animação começou a florescer na família, até que num belo dia, do nada, próximo às férias de julho de 2023, ele disse pra Tássia: “Vamos para Araçatuba, no Campeonato Nacional, e de imediato ela respondeu – Gunter, isso é loucura, pois nestes últimos três meses havíamos participado apenas de duas provas regionais, e não teríamos condições nenhuma de competir num evento deste porte”.
Mas ele foi taxativo: “Claro que temos! Se a gente tem um cavalo e a gente tem um competidor, a gente tem condição de competir”. E como a paixão falou mais alto, selecionaram dois animais para enviar à Araçatuba, destacando-se a égua Malaguenha Red VT (Castanho Red x Malaguenha Ease WA, por Holland Ease), que era a montaria preferida da mãe e filha. “Para nossa surpresa, a Stella pegou o terceiro lugar na categoria Kids e eu o sétimo na Amador Light com a Malaguenha. Égua que foi a responsável em tão pouco tempo de ajudar a Stella na competição e, também pra Bárbara, tornando-se praticamente a mãe de todos nós”, enalteceu Tassia.
Segundo Gunter, isso fez com que virássemos frequentadores assíduos dos campeonatos da ABQM, participando também em 2024 com a mesma égua, sendo que a Stellinha ficou como reservada campeã do Congresso e campeã Nacional, ambas na categoria Mirim.
O prazer começou a se transformar em paixão
“Tudo isso que está ocorrendo com a gente foi algo totalmente surpreendente e que está aliado ao amor e a dedicação com que cuidamos do bem-estar dos nossos animais, como alimentação, treinamento, dedicação onde praticamente vivemos em função deles. É muito gratificante, pois cada vez mais esse elo com o Quarto de Milha se fortalece e cria um vínculo que é inabalável e que vem se solidificando”, destacou Tassia, emendando: “Quando a gente não se encanta pelo carinho que eles nos proporcionam, nos encantamos pela habilidade ou por sua beleza. Enfim, é realmente uma raça múltipla que o faz ser um agregador de famílias”.
E exatamente em função disso, Gunter informou que veio junto com eles uma família de amigos só para passear e conhecer o Congresso “O marido gosta de laçar e a esposa, que era da Vaquejada, agora migrou também para o Tambor por conta dos filhos que correm a modalidade.
Correndo no Congresso
Em referência ao atual Congresso, a família Oliveira correu com dois animais nos Três Tambores, que estavam em treinamento no CT do Daniel Araújo, em Bauru (SP). A rosilha FSL Aysha Fling (A Streak Of Fling x Quick Fame RCH, por Royal Quick Dash) e o castrado Rona Victory Fire (Victory Fly VM x Fire Blazin Chick, por Walk Thru Fire). Tassia ficou na Amador Master, onde obteve o 7º lugar, com Rona Victory, que também foram montarias para as filhas: Stella, na Jovem e Mirim Jovem; e a estreante Bárbara, no Mirim.
Além dos animais citados, Gunter relacionou alguns exemplares que também fazem parte de seu plantel: “Posso selecionar alguns, como o Luan Tres Seis HRL, que é um Tres Seis direto em mãe First Down Dash, que está iniciando para o Potro Futuro desse ano e está sendo preparado no CT do Sidney Jr.; a Miss Lucky The Fame, que é Keep the Fame em mãe Ocean Runaway; além disso possuímos um garanhão de 5 anos, filho do ‘Roxão’ em mãe Don Diego Bars, que era de Vaquejada, e que está iniciando muito bem; e uma filha do Gunner Boy, em mãe Jacs Eletric Spark, que é a Greta Gun Sapucaia”.
Ao finalizar, o casal teceu elogios ao evento: “Antes, a gente era acostumado ir em Vaquejadas e aqui é completamente diferente. O dia que viemos no primeiro nacional, eu falei pra Tássia, nunca mais vamos deixar de vir, porque aqui é gostoso demais, um clima diferente, muito mais familiar e seguro, onde podemos deixar nossas princesas brincando pelo parque, além de atividades para elas, como a prova do tamborzinho que tem toques de profissionalismo”, concluiu Gunter. Já Tassia também deixou sua mensagem: “Quero parabenizar a todos da organização, tanto pela grandiosidade do evento, a estrutura, atenção para os participantes e que vocês consigam alcançar várias outras famílias que se sintam abraçadas pelo coração como nós fomos”.
Mostrando espontaneidade e grande conhecimento, quem quis também expressar seu sentimento foi a jovem Stella, dizendo sobre suas aspirações, sonhos e alguns de seus ídolos na modalidade: “Gostaria um dia de correr aqui nos 16 segundos e fazer prova na Bahia, no Barretão e nos Estados Unidos”. Já sobre os ídolos, ela citou entre os cavalos, Black Cat Lider e Taylor Shady e, entre as competidoras, a Thaisa Matos Ribeiro.
O Pará teve outros participantes na modalidade
Um dos representantes do estado foi a competidora Lavínia Valesca Herman Langer, que veio da cidade de Xinguara, no estado do Pará, distante aproximadamente 2,2 mil quilómetros e que, de automóvel, seria em torno de 26 horas ou de avião, fazendo escalas, cerca de 6 horas, além de mais 10 horas só de carro da minha cidade até a capital Belém.
“Isso tudo é movido pela paixão ao Quarto de Milha em vir de tão longe para cá, para poder participar desse evento e superar o cansaço. Um exemplo é que, na nossa cidade, principalmente, não tem aeroporto, então temos que andar uns 250 km até ir até pegar um voo em Marabá ou, ainda, mais de 500 km até Palmas, no Tocantins”, destacou Lavinia.
Do improviso às pistas de Tambor
Sua história de envolvimento com a raça foi meio no improviso. Esse prazer teve início a partir do momento que conheceu um treinador, próximo a sua cidade, que dava aula de equitação e manejo com cavalos. “Comecei com uma aula experimental e gostei, pois minha vida sempre foi envolvida com fazenda. A partir daí, o meu envolvimento foi crescente mesmo não entendendo nada de papel (pedigree) e o que representava o Quarto de Milha. Aos poucos fui me interessando sobre a modalidade Três Tambores e comecei a adquirir alguns animais”, explicou a paraense.
Segundo ela, além desse problema da distância, teve que perder algumas aulas na faculdade para vir ao Congresso. Já sobre os animais que compete a modalidade, Lavinia informou que eles ficam em Bauru (SP), alojados na propriedade da Kelly Carolina, irmã do Sidney Pereira. “Especificamente neste Congresso, vou correr em três categorias dos Três Tambores, até o encerramento no domingo, e será apenas com a VPJ Fontana Pop, uma égua filha do Popular Resortfigure em mãe Sucesso SKR. A outra potra que tenho ainda não está pronta”, destacou a competidora, dizendo “que sempre é um prazer participar dos eventos da ABQM, pois é a terceira vez que venho para Araçatuba e pretendo retornar em julho no Nacional”.
Outros aficionados pelos Três Tambores
Além dos citados, outros aficionados pela modalidade não mediram esforços para estar competindo neste 34º Congresso.
Também do Estado do Pará, desta vez da cidade de Paragominas, veio mostrar sua competência Yasmin Alcantara Resende. Ela entrou em pista com dois animais de sua propriedade e levou o troféu de 3º lugar na Amador Light, montando o baio Tres La Plata IM (Tres Seis x Sueter Sukita HDA, por Líder da SM).
Outro deles foi Júlio Cesar Abreu Weisheimer, que veio de Boa Vista, Roraima, e montou em Maximus Zorrero, animal de sua propriedade e que soma atualmente 59 pontos nos Três Tambores. Ele é um filho de El Shady Zorrero e Lambada Vista (Holland Ease) e disputou nas categorias Amador Light e Amador Masculino.
Na mesma modalidade, Agostinho Silva do Vale, o representante da capital amazonense, Manaus, disputou acirradas categorias apresentando oito animais. Trabalhando com o premiadíssimo Three Fire Water ZD (Tres Seis x Slash Trouble ZD, por Top Firewater), que acumula 406,15 pontos pela ABQM, foi ‘top ten’ na classe Aberta Sênior (Castrado). Também de Manaus, marcou presença Leandro Golvin Rosas da Silva obtendo a 3ª colocação na Aberta Sênior, cravando 16s470, conduzindo a tordilha Ketlyn Jean Fame HTT, filha de Mr Ta Fame e Tiny Martha Jean (Marthas Six Moons).
Já de Rio Branco, no Acre, veio Bárbara Velozo Morais e ficou com o 7º lugar na Amador (19 anos ou menos), se apresentando com a égua de sua propriedade, Famous Pavlova (El Shady Zorrero x Andy Famous, por Dash Ta Fame), que possui 68,5 pontos.
Quatro troféus do Working Cow Horse foram para o Pará
Mudando o foco, agora falando das provas de Working Cow Horse, o evento contou com a presença de um campeão vindo também da capital Belém, no Pará. Seu nome é Djalma Bezerra Neto que levou para o conhecido Rancho Promissão, na cidade de Ananindeua, quatro títulos de campeão.
E para relatar este feito nada melhor do que o próprio competidor que contou um pouco de sua história: “Praticamente, comecei com cavalo desde sempre, pois cresci em fazenda e mexendo com eles, o que fez meu envolvimento e o relacionamento com Quarto de Milha. Na realidade, não sei se o responsável ou o ‘culpado’ (risos), foi o meu tio Fred Bezerra que os quartistas conhecem bem. Veio dele essa proximidade, paixão e as oportunidades também que surgiram. No início foi com provinhas de tambor, depois um pouco de laço. Depois no período de faculdade tive de me afastar pela questão do tempo mesmo”, detalhou Djalma.
Ele revelou que seu envolvimento mais direto com o Quarto de Milha foi a partir de 2013, após se formar em Direito. “Primeiro foi com a Rédeas, mas logo em seguida comecei a competir no Cow Horse e foi a modalidade que entrou na minha vida realmente. Desde então passei a me dedicar e passou a ser a prova que adoro e da qual sou alucinado, contribuindo pra minha trajetória nas pistas. Porque, como cresci em fazenda de pecuária, mexendo com gado”. Bezerra contou que foi a época mais feliz do mundo para ele, principalmente, quando tinha que apartar uma rês. “Mexer com uma novilha, que eu sabia que ia desgarrar uma pro lado, ia ter a chance de dar uma carreira ali, fechar um animal, cercar, laçar. É a época que eu mais gostava. Então, quando eu achei com o Cow Horse deu tudo certo, porque eu gostava da parte técnica da Rédeas e tinha também a adrenalina no momento de trabalhar o boi. Pra mim é incomparável!”, exclamou ele com emoção, emendando: “Claro que a alegria de encontrar e rever os amigos no evento é muito bom, muito importante. Particularmente, curto muito! Mas, no final das contas, a paixão é enorme pelo cavalo, pela modalidade, que aliás vem crescendo muito e que venho acompanhando esse crescimento aí com muita alegria”.
As conquistas em Araçatuba
Os galopes da vitória feitos por Djalma Bezerra foram realizados com dois cavalos castrados. Um deles é o castanho Spook Safari (Spooky And Smart x Sporty Safari, por Son Ofa Jay), que com as premiações no evento passou a acumular 74,5 pontos). Já o outro é o zaino Big Texas Del Rancho (Big Papi x Miss HD Rosalie, por Hollywood Dun It).
Antes de relatar suas vitorias, ele informou que os cavalos que competiu ficam em treinamento em Avaré, interior de São Paulo, também no Rancho Promissão. “Graças a Deus, o deslocamento dos animais é bem mais próximo. Só eu mesmo que moro em Belém e tenho um longo caminho pra percorrer. Cheguei na segunda à noite e corri as provas na quarta e quinta.
Falando do Spook Safari, que eu ganhei a Amador Sênior e na Sênior Castrado, está comigo desde 2015”. Ele detalhou que, foi seu primeiro e grande cavalo: “Ele é incrível e faz parte do meu coração! Já vencemos tudo com ele no Cow Horse: Derby, Super Stakes Classic e Nacional da ANCH e, pela ABQM, o Congresso, Copa e Nacional”.
Em relação ao Big Texas Djalma informou que é da criação e propriedade do rancho: “Ele tem um potencial enorme, um coração absurdo, um ‘cow sense’ incrível. Ganhamos o Potro do Futuro (Amador) no ano passado, tanto na ABQM e neste Congresso levou a Amador Junior e a Junior Castrado. A gente veio numa maré boa com ele”.
Texto: Abdalla Jorge Abib
Fotos: Fernando Ulhôa /Hugo Lemes / Maurício Messias / Miguel Oliveira
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