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Para escrever sobre Eduardo Pacheco Borba, o professor da “Doma Racional”, foi extraído detalhes de inúmeras publicações em revistas, sites e opiniões de quem atuou com ele para expressar seu pensamento em relação aos cavalos.
Em uma delas, ele conta que no início de 1972 o cavalo que transformou sua vida chamava-se Hondo Ranchero. “Seu espírito, seu corpo, sua força, sua habilidade atlética me deixaram estarrecido. As respostas vinham a partir dos menores sinais! Foi uma situação arrebatadora, que me fez esquecer de tudo que vinha fazendo. Pela primeira vez senti o verdadeiro significado de que “dois poderiam ser um. A constatação daquela sensação me levou a perceber que cavalo é um individuo que pensa, sente, decide e... considera.
Estava absolutamente decidido que esse era o mundo qual queria viver. Imediatamente senti a necessidade de me orientar. Percebi também que tudo dependia de determinação. Precisava, então, fazer o meu curso de graduação. Considerei a possibilidade de ir para o Oeste norte-americano, escovando cavalos e limpando cocheiras.
Com a ajuda do Dr. Heraldo Pessoa, proprietário do Hondo Ranchero e Secretário Executivo da ABQM, organizei a viagem. Em 1975 fui para o Texas e tive o meu primeiro contato com o universo da Cultura do Cowboy. Neste período, comprei ‘sem saber’ os meus livros mais importantes: Western Equitation, Horsemanship and Showmanship, do Dwight Stewart, The Complete Training of Horse and Rider, My Horses and My Teachers, do Alois Podhajsky.
O D. Stewart dizia: “Se você acredita que tem um bom cavalo de rédeas, leve-o para Califórnia e veja se ele é bom mesmo”. Foi neste livro que vi as primeiras fotos dos californianos em ação e percebi que aqueles cavalos tinham uma escola muito diferente dos que estava vendo no Texas. Então decidi fazer um curso de pós-graduação na Califórnia.
Em 1978, convidado pelo Johnny Coachman, da ABQM, embarquei com a família rumo a Perris, CA. Meu professor vinha de uma família tradicional de califórnios. Foi com Joe Moreno Jr ou Dom Jose, como muitos o chamavam, que percebi a importância dos clássicos Podhajsky e Vladimir Littauer. O Joe me deixou absolutamente convencido a respeito da importância da Equitação Clássica na Formação da Base dos Cavalos Californianos. Trabalhar e conviver durante um ano com esse extraordinário horseman foi fundamental para a aminha Educação Equestre e principalmente para formação da minha vida.
Quando voltei para o Brasil, em parceria com a ABQM, comecei a desenvolver uma nova maneira de abordar a doma dos potros. Desenvolvemos um curso de 30 dias e demos o nome de: “Curso de Doma Racional e Apresentação do Cavalo em Pista”. Além de lidar com novas abordagens a respeito da Doma de Potros, Educação Equestre & Equitação, o aluno também entrava em contato com a apresentação do Cavalo de Conformação.
De 1978 a 1986, viajei pelo Brasil todo, usando a linguagem e a Cultura dos Califórnios como ferramenta para estimular os meus alunos. Para mim ainda não havia os irmãos Tom e Bill Dorrance e Ray Hunt, as mais altas expressões da “Educação Equestre Contemporânea”.
Quando havia gado disponível, desenvolvíamos um trabalho abordando a psicologia desses animais e o respeito que é preciso, tanto em relação a eles quanto ao gado, para que o trabalho pudesse acontecer dentro de um nível de segurança e eficiência para as pessoas e os animais.
Esse foi o período que estava casado com a Bia Lessa, artista, diretora de teatro e cinema. Ela estimulava os meus interesses em outras áreas, como a Filosofia Zen e as Artes Marciais, Literatura, Pintura, Psicologia, Teatro, Cinema, Música, etc... em fazer parte desse universo e levar parte dele para os cursos, criava um clima mágico entre os participantes.
Em 1990, entrei em contato com os irmãos Dorrance e também Ray Hunt. Embora as informações vindas desse novo universo pareciam complexas, logo percebi que me dariam as ferramentas para entrar cada vez mais fundo no entendimento do cavalo para um Todo; Mente Físico e Espírito. Tudo parecia estar conectado. Tom Dorrance dizia: “Devagar é o jeito mais rápido de se chegar lá”. Na verdade, quando se lida com psicologia não se deve ter pressa de cura. É preciso aprender a ver as causas e não apenas os sintomas. Então percebi que no treinamento de cavalos, metade é o ‘que se faz’, a outra metade é representada por ‘como se faz’. Por isso, a importância do desenvolvimento constante da Sensibilidade, Timing e do Bom Senso seja a prioridade fundamental.
Todo este aprendizado contribui para que José Borba tornar-se conhecido como “domador de gente” e filósofo. Ele percorreu todo País, ensinando aos peões e cowboys os segredos do Horsemaship, baseado na responsabilidade mutua, na paciência, na compreensão e na consistência. “O meu curso é um beabá destinado a fazer o cavalo se acostumar com a gente. Se o domador não entende que ele é uma ponte, uma transição e não o final deve desistir. Por isso é que considero o cavalo um psicanalista: ele questiona o homem e o força a vencer suas dificuldades”.
No Brasil, Borba recebeu mais de 3 mil cavalos xucros e milhares de pessoas aprendendo a “ler” cavalos e “gente”. Sensível, amigo de todos, formou uma nova filosofia entre os cavaleiros que, com seus ensinamentos, aprenderam a ter uma fraternidade mágica com os animais, numa convivência leal e cheia de energia, tornando-se campeões em várias modalidades. Em uma das matérias publicadas na Revista Quarto de Milha com o professor Borba, selecionamos depoimentos de três competidores que receberam seus ensinamentos e se tornaram destaques no meio quartista.
“Ele descobriu a capacidade de transformação que o cavalo exerce sobre as pessoas. Ensinou-me que o cavalo é muito mais que interessante do que eu imaginava. Montando hoje, extravaso toda minha emoção e criação”, diz Paulo Koury.
“O Borba foi meu primeiro ídolo, professor. O Quarto de Milha de modo geral deve muito ao Borba, ele revolucionou o treinamento de cavalos no Brasil”, argumenta Gilson Vieira Diniz, homenageado no “Hall da Fama” 2013.
“A imagem que se tinha de um domador de cavalos era de uma pessoa forte, ignorante, que dava a pancada e aguentava pulos. Essa imagem começou a mudar com o trabalho de Borba, que nos mostrou que mulheres e crianças são capazes também de domar um cavalo sem violência. Basta saber aprender a “ler o cavalo”, comentou João Antonio Salgado Filho, o Jango.
O professor, domador de gente e filósofo têm na cabeça a imagem do cavalo como está registrada no horóscopo chinês:
“Eu sou o caleidoscópio da mente. Eu transmito luz e movimento perpétuo. Eu penso, vejo, eu sou movido por elétrica fluidez. Constante apenas na minha inconstância. Não sou prisioneiro de influências terrenas. Não sou reprimido por objetos inflexíveis, coercivos. Eu corro livre através de trilhas virgens. Meu espírito inconquistado. Minha alma eternamente livre. Eu sou o cavalo”.
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