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Eloi Medeiros

Escrito por ABQM

06 SET 2023 - 14H03

Aos seus 57 anos de idade, o treinador de destacados animais, Eloi Medeiros Loureiro, tem uma história que se mistura ao desenvolvimento da raça Quarto de Milha no país. Ele foi criado na cidade de Bela Vista (MS) e acumulou importantes títulos em sua carreira. Lembrando sua trajetória, ele mesmo conta como tudo aconteceu:

“Meu início na raça Quarto de Milha foi como se estivesse construindo uma escada de degrau em degrau. Comecei pelo conhecimento da morfologia, aprumos, depois como corrigi-los, passando para as suas características. Como, na época, não se conhecia os registros dos animais, eu os treinava para Laço, Rédeas e Corrida. Aquele que não me obedecia e corria muito, mandava para Corrida; o mais inteligente, com mais tranquilidade, era experimentado em outras modalidades, pois éramos carentes de informação sobre genética. Mas, como eu era uma pedra bruta a ser lapidada, dizia pro ‘paizão’ Cacau (José Carlos Delfim Miranda): ‘Isso voa!’. Não sei se ele me entendia, mas formamos uma dupla de sucesso.

Dividia o treinamento em três etapas. A primeira, pela nutrição, a segunda, com base no casqueamento e correção de aprumos, e na terceira, iniciávamos na Conformação, com grandes resultados e grandes campeonatos. Levantei o troféu por 12 vezes como campeão de Conformação, tanto apresentando machos como fêmeas.  Entre eles, cinco troféus transitórios consecutivos, Grande Campeonato de Potros de Ano, Sobreano, Dois e Três Anos e animais Adultos.

Mais tarde, iniciei a parte de doma de potros - cavalo de Laço, Tambor e Rédeas. Os primeiros grandes cavalos que tive conhecimento foram os importados: Mr Par Three, Show A Chick e Might Door.

Já o primeiro animal que treinei para Apartação foi o King Door PH. Ele era um cavalo 15/16, alazão, e isso foi no ano de 1984, quando nos tornamos campeões Nacionais da categoria Junior. Depois veio a Pan Chick PH, que foi também reservada campeã Junior Nacional. No ano de 1987 surgiu a lenda Shady Par, que foi bicampeã Nacional invicta em dois anos consecutivos e reservada campeã Potro do Futuro de Apartação.

E aí, sentindo necessidade de aperfeiçoar meus conhecimentos, o Pruden Haras me deu uma oportunidade para ir para a América. A história aconteceu assim: Fui numa exposição em Araçatuba, onde tive grandes resultados. Ao ser convidado para um almoço na casa do Sr. José Macário Perez Pria, conheci o Kenny Knowlton, que se esforçou para me levar junto com outros companheiros para conhecermos os grandes cowboys americanos e seus conhecimentos. Lá chegando, fomos ao Rancho do Matlock Rose - o mestre com quem posteriormente aprendi muito. Aliás, uma pessoa humilde que conhecia muito sobre cavalos. Por intermédio dele também fui apresentado para outro talentoso professor do ‘cavalo’, chamado Don Dodge. Depois foi a vez de conhecer Buster Welch, um parceiro amigo e que queria que eu morasse no seu rancho. Por intermédio do Buster, então, conheci Shorty Freeman - um talento! Sabia muito de cavalo, pois fez Smart Little Lena, apresentado por seu filho, Bill Freeman, outra lenda.

No meu retorno, veio o entusiasmo e mais um conhecimento, o de trazer uma linhagem de Apartação. Foi quando importei Little Super Charge em sociedade com o José Carlos Delfim Miranda – que depois veio a se tornar o primeiro presidente da Associação Nacional do Cavalo de Apartação (ANCA). Aliás, devo ao Cacau e à Dona Rosa Maria Peretti (em memória), um agradecimento especial pelo grande apoio que me deram.

Little chegou ao Brasil com 18 meses de idade e, depois de algum tempo, eu iniciei o seu treinamento. Ele nos proporcionou grandes resultados, mas, infelizmente, no auge de sua carreira, sofreu uma grave fratura no jarrete, ficando só para reprodução.

Sobre o plantel brasileiro, posso dizer sem medo de errar que o grande fenômeno da Apartação no Brasil foi a égua preta Shady Par PH, que tinha como pai Mr Par Three e o avô materno Shady Apollo Bars. Com ela fui Bicampeão Nacional e também vitorioso em outros países da América Latina, onde fazia grandes apresentações. Esse período de crescimento da modalidade Apartação ficou marcado na memória de todos os apaixonados por cavalos.

Em minha opinião, a Apartação só existe no Brasil graças ao Renato Eugênio de Rezende Barbosa (Tô), José Macário Perez Pria e Antônio Renato Prata (Pratinha), que não mediram esforços para o crescimento da modalidade no país.

Guardo comigo um provérbio africano em que me espelhei para chegar onde cheguei. Ele diz assim: ‘Toda manhã, na África, a gazela acorda e sabe que precisa correr mais rápido que o mais rápido dos leões para sobreviver. Toda manhã, um leão acorda e sabe que precisa correr mais rápido que a mais lenta das gazelas senão morrerá de fome. Não importa se você é um leão ou uma gazela, quando o sol nascer, comece a correr atrás de seus objetivos.

Além disso, eu digo sempre que se Picasso, o pintor, fosse vivo, diria que treinar cavalo é uma arte”.

 

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