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Shady Par PH

Escrito por ABQM

06 SET 2023 - 17H32

Shady Par PH, nascida em 17 de setembro de 1980 e desaparecida em 24 de maio de 1996, será a homenageada do Hall da Fama de 2016. Ela é filha de Mr Par Three e Sandy Apolo Bars (Shady Apolo Bars – Hall da Fama 2014). Era da criação e propriedade de José Carlos Delfim Miranda (SP). Como atleta, ela conseguiu uma campanha de 97 pontos de Registro de Mérito. Na Apartação, ocupa a 4ª colocação com 87 pontos, sendo que suas principais conquistas foram: reservada campeã Potro do Futuro (1984) e bicampeã Nacional ABQM/ 1988 e 1989; no Celar, em Uberlândia (MG), obteve a nota 77 por três juízes norte-americanos – a maior da Apartação; bicampeã do Derby ANCA 1990 /tricampeã Copa Master ANCA 1989/campeã em Punta del Este (Uruguai); e de vários títulos Estaduais. Com 10 pontos na Conformação, foi campeã de várias etapas do Campeonato Nacional, dos 12 aos 30 meses; reservada campeã Potro do Futuro, campeã Nacional (3 Anos) e de vários eventos Estaduais.

 

 

Quem conta a história dessa incrível campeã é o seu descobridor e treinador Eloi Medeiros, com sua linguagem de peão e alma de cowboy. Acompanhe:

O início da Shady foi interessante. Quando ela nasceu lá no Pruden Haras, em Presidente Prudente (SP), a gente viu um animalzinho preto correndo em um piquete e logo deduzimos que a mãe dela seria uma outra égua preta. Aí, aproximamos os dois animais. A partir do primeiro dia, eu já percebi algo diferente nessa potra que trabalhava em Conformação, desde os seis meses, a partir do desmame. Mas ela tinha uma coisa interessante. Quando ficava no piquete, brincava com passarinho, apartava galinha. Mas nunca corria atrás, sempre procurava cercar. Então eu comecei a trabalhar Apartação com ela, contrariando as vontades do Cacau (José Carlos Delfin Miranda), porque na época ele só criava a linhagem de Conformação. Então, eu comecei “mexer” com ela escondido. Um dia eu falei com o Cacau que achava que nós tínhamos um animal “fenômeno”, porque tudo que ela fazia era muito rápido, aprendia tudo rapidamente, me deixando confuso. Então, ele disse:

- Do que você está falando?

- Estou falando da Shady Par. Estou montando nela e sei que não é para montar, mas eu estou montando, devagarzinho, escondido, de noite. Ele retrucou:

- Não pode. Para com isso!

Aquilo me deixou agoniado demais. Um dia eu fui convidado para ir na propriedade do ‘seu’ Macário (Peres Pria), no Haras Boa Sorte, que ia ser visitado por um americano, chamado John Reis. Ele ia dar um curso de Apartação. Eu pedi para o Cacau e fomos juntos lá. Até então eu só conhecia Apartação aqui no Brasil. Então, assisti ao curso. Chegando na casa do Sr. Macário para almoçarmos,  ele “botou” um vídeo dos gringos apartando no Potro do Futuro nos Estados Unidos. Eu gravei aquilo na minha mente, fiquei apaixonado. Passamos lá dois ou três dias e voltamos à Prudente. Então eu disse ao Cacau:

- A tua profissão é Conformação, mas nós temos uma máquina aqui que faz aquilo que vimos no vídeo. Eu treinava à noite, pegava as vacas de leite, as do vizinho... E os meninos lá me ajudavam. Até que chegou o Potro do Futuro em Ribeirão Preto (SP). As inscrições eram feitas na hora. Aí o Cacau me viu indo lá fazer a inscrição e disse:

 - Você vai fazer o que ali?

- Vou inscrever a égua, vou apartar ela...

- Você esta louco?

Aí, ele não deixou. Sai chorando de bravo. Quando passei em frente do senhor Geraldo Ribeiro (pai da Mônica Ribeiro), ele falou:

- O que é que foi menino?

Há! o homem não quer que eu aparte.

Ele chamou o Cacau e falou:

- Se você não pagar, eu pago a inscrição dele.

O seu Pratinha, o Antônio Renato Prata, estava junto com ele e também me incentivou. Aí entramos em segundo na pista e ela deu um show, como sempre deu. Foi um negócio lindo. Até então não tinha um animal que fazia aquele feito assim, se esparramar, praticamente deitar no chão.

Em seguida, tirei a cabeçada da égua e fiz uma demonstração já na primeira prova dela. Ai o Cacau foi me cumprimentar meio meio sem jeito, depois que nós chegamos em casa.

Então peguei minha mala e fui ao escritório. Ele me perguntou:

Aonde você vai?

- Estou indo embora. Você não gosta da Apartação e eu já enjoei da tal da Conformação, agora eu estou indo.

- Para com isso rapaz. Vamos conversar o negócio não é assim. Larga mão de ser bruto, você é xucro demais.

Então a história foi essa e continuei no haras. Tive algumas outras provas, mas montando muito pouco na égua, porque ela fazia trabalho de Conformação. Depois houve uma prova grande na inauguração do Parque da Água Funda (SP). Havia por lá umas 20 mil pessoas, segundo a Polícia Militar. Chovia muito e o povo começou a ficar desesperado, aquele negócio meio sem graça. Até que o seu Macário, disse:

 - Elói: limpa a cabeça dessa égua e dá um show para nós aí... Sem cabeçada, sem nada, cara limpa...

A égua deu um show, jogava barro para tudo que era lado, caiu, depois levantou comigo em cima, foi um show inesquecível. E muita chuva...

Depois teve outra passagem muito bonita dela em Uberlândia (MG), no Celar, numa etapa do Campeonato Nacional, acho que foi em 1985, quando ela tirou notas 77. Eu me orgulho dessa façanha, pois foi a maior nota até hoje, dada por três americanos.

Eu nunca me esqueço que depois deste evento, queriam comprar a égua. Mandaram colocar um preço. Aquela coisa e tal... Falaram em milhões. Para a época era um absurdo. Eu nunca esqueço que nós fomos apartar lá, e tiveram alguns animais que tiveram nota acima de 75. Eu observava que a água parava e parecia que contava os pontos. Ela ficava parada trocando orelha, olhando para cima e parece que ela falava para mim:

-Eu preciso tirar tantos pontos. Você aguenta o golpe que eu vou fazer uma estripulia...

Na pista passei pertinho do touro. Imaginei, que, se pudesse falar, ele teria dito:

- Dessa vez você perdeu.

A égua parou e olhou para ele  e continuou entrando até escolhê-lo. É verdade, testemunhada e filmada. E o boi foi lá na cabine do juiz, de lá voltou, quando o boi virou, veio andando em linha reta, a égua não parava de dançar com a barriga no chão e o pé pregado no chão. Deu show. Foi quando ela tirou essas três  notas de 77, nos dois bois que ela tirou. Nessa hora o Tô ( Renato Rezende Barbosa) jogou a mesa lá, de tão alegre que ficou. Era um evento muito bonito, onde havia vários artistas, inclusive a Lúcia Veríssimo e aquilo lotado de gente. Então foi um show assim inesquecível.

Depois desse grande evento, houve outro muito grande, com o troféu “Iris Rezende”. Ela também venceu e deu mais um show lá em Goiânia (GO) e depois repetiu a dose no Celar. Lembro que, depois dessa prova, recebi várias ligações de pessoas, de proprietários de cavalo. Queriam saber a data e a aonde ela estaria se apresentando, para as pessoas irem ver ela trabalhar. Então, foi um animal que nasceu com uma estrela.

Então, fomos convidados para participar na prova em Punta Del Leste, no Uruguai, em 88. Nessa época, ela já era bicampeã nacional. Foi outro show também exorbitante, um negócio assim fora do comum o que ela fez. Toda prova que eu chegava com ela, a turma falava:

- Agora vai acabar a prova...

Limpa a cabeça dela, a gente era obrigado a  fazer isso. Depois dessas apresentações, recebi vários convites. Fui  apresentar a égua em vários lugares e nos haras. Havia uns empresários que pediam para levar nas propriedades deles só para fazer uma demonstração e convidavam um monte de gente para ir ver.

Posso dizer que ela foi a única e sempre será a única “top” que eu montei. Um animal muito inteligente. Já trabalhei com vários cavalos aqui no Brasil, fiz vários campeões e montei em vários campeões nos Estados Unidos. Não desmerecendo os outros, mas ela foi um animal diferente. Inclusive os gringos que vinham aqui falavam que só existiam mais dois animais no mundo para fazer o que ela fazia: o Smart Little Lena e a Royal Blue Boon.

 

 

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